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27/11/09

No acaso da rua o acaso da rapariga loira

Acaso

No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.

Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade,
na outra rua,
E a outra rapariga passa.

Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!

Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos...
Mas isto era a respeito de uma rapariga,
De uma rapariga loira,
Mas qual delas?
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade,
Numa outra espécie de rua;
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade
Numa outra espécie de rua;
Por que todas as recordações são a mesma recordação,
Tudo que foi é a mesma morte,
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã?

Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional.
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas?
Pode ser... A rapariga loira?
É a mesma afinal...
Tudo é o mesmo afinal ...

Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal.
Álvaro de Campos

26/11/09



Baladas de uma outra terra

Baladas de uma outra terra,
aliadas

Às saudades das fadas, amadas por gnomos idos,

Retinem lívidas ainda aos ouvidos

Dos luares das altas noites aladas...

Pelos canais barcas erradas

Segredam-se rumos descridos...


E tresloucadas ou casadas com o som das baladas,

As fadas são belas e as estrelas

São delas... Ei-las alheadas...

E sao fumos os rumos das barcas sonhadas,

Nos canais fatais iguais de erradas,

As barcas parcas das fadas,

Das fadas aladas e hiemais

E caladas...

Toadas afastadas, irreais, de baladas...

Ais...

Fernando Pessoa
Cancioneiro

25/11/09

A palidez do dia é levemente dourada


A palidez do dia é levemente dourada.
O sol de Inverno faz luzir como orvalho as curvas
Dos troncos de ramos secos.
O frio leve treme.

Desterrado da pátria antiquíssima da minha
Crença, consolado só por pensar nos deuses,
Aqueço-me trémulo
A outro sol do que este.

O sol que havia sobre o Parténon e a Acrópole
0 que alumiava os passos lentos e graves
De Aristóteles falando.
Mas Epicuro melhor

Me fala, com a sua cariciosa voz terrestre
Tendo para os deuses uma atitude também de deus,
Sereno e vendo a vida
À distância a que está.
Ricardo Reis
A Palidez do Dia

24/11/09

Freddie Mercury and Monserrat Caballe

Freddie Mercury



Freddie Mercury, nome artístico de Farrokh Bommi Bulsara, nasceu em Stone Town a 5 de Setembro de 1946 e faleceu em 24 de Novembro 1991 Londres, foi o vocalista da banda de rock britânica Queen.
Um dos melhores cantores de todos os tempos e uma das vozes mais conhecidas do mundo.

20/11/09

Os Meus Pensamentos são Todos Sensações



Sou um guardador de rebanhos.

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la

E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor

Me sinto triste de gozá-lo tanto.

E me deito ao comprido na erva,

E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,

Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos
- Poema IX" Heterónimo de Fernando Pessoa

19/11/09

Os anos são degraus


(Nela Vicente)
Os anos são degraus, a Vida a escada.

Longa ou curta, só Deus pode medi-la.

E a Porta, a grande Porta desejada,

só Deus pode fechá-la,

pode abri-la.


São vários os degraus; alguns sombrios,

outros ao sol, na plena luz dos astros,

com asas de anjos, harpas celestiais.

Alguns, quilhas e mastros

nas mãos dos vendavais.


Mas tudo são degraus; tudo é fugir

à humana condição.

Degrau após degrau,

tudo é lenta ascensão.


Senhor, como é possível a descrença,

imaginar, sequer, que ao fim da Estrada,

se encontre após esta ansiedade imensa

uma porta fechada

e mais nada?


Fernanda de Castro, in "Asa do Espaço"

17/11/09

Posso ter defeitos, viver ansioso ...



Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir
um castelo…

Fernando Pessoa

16/11/09

Boa Semana

Flores

05/11/09

Tenha um bom dia

imagens para myspace

RecadosOnline

04/11/09

03/11/09

A minha aldeia

A minha aldeia
Minha aldeia é todo o mundo.

Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.

Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Angulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.

Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.

Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valência de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que imergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.
António Gedeão