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17/12/08

Lágrimas ocultas







Se me ponho a cismar em outras eras

Em que ri e cantei, em que era querida,

Parece-me que foi noutras esferas,

Parece-me que foi numa outra vida...


E a minha triste boca dolorida

Que dantes tinha o rir das Primaveras,

Esbate as linhas graves e severas

E cai num abandono de esquecida!


E fico, pensativa, olhando o vago...

Toma a brandura plácida dum lago

O meu rosto de monja de marfim...


E as lágrimas que choro, branca e calma,

Ninguém as vê brotar dentro da alma!

Ninguém as vê cair dentro de mim!

(Florbela Espanca)

2 comentários:

Beijaflor disse...

gosto muito de ti

Ana Oliveira disse...

Florbela...
De ontem...de hoje...de sempre!
Gostei muito deste blog, pequenino mas que promete.
É bom encontrar poesia despretenciosa e cheia de coração!

Bjs

Ana
(vim da beijaflor para cá!)