Powered By Blogger

    Search

    A minha Lista de blogues

    contador

25/11/09

A palidez do dia é levemente dourada


A palidez do dia é levemente dourada.
O sol de Inverno faz luzir como orvalho as curvas
Dos troncos de ramos secos.
O frio leve treme.

Desterrado da pátria antiquíssima da minha
Crença, consolado só por pensar nos deuses,
Aqueço-me trémulo
A outro sol do que este.

O sol que havia sobre o Parténon e a Acrópole
0 que alumiava os passos lentos e graves
De Aristóteles falando.
Mas Epicuro melhor

Me fala, com a sua cariciosa voz terrestre
Tendo para os deuses uma atitude também de deus,
Sereno e vendo a vida
À distância a que está.
Ricardo Reis
A Palidez do Dia

24/11/09

Freddie Mercury and Monserrat Caballe

Freddie Mercury



Freddie Mercury, nome artístico de Farrokh Bommi Bulsara, nasceu em Stone Town a 5 de Setembro de 1946 e faleceu em 24 de Novembro 1991 Londres, foi o vocalista da banda de rock britânica Queen.
Um dos melhores cantores de todos os tempos e uma das vozes mais conhecidas do mundo.

20/11/09

Os Meus Pensamentos são Todos Sensações



Sou um guardador de rebanhos.

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la

E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor

Me sinto triste de gozá-lo tanto.

E me deito ao comprido na erva,

E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,

Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos
- Poema IX" Heterónimo de Fernando Pessoa

19/11/09

Os anos são degraus


(Nela Vicente)
Os anos são degraus, a Vida a escada.

Longa ou curta, só Deus pode medi-la.

E a Porta, a grande Porta desejada,

só Deus pode fechá-la,

pode abri-la.


São vários os degraus; alguns sombrios,

outros ao sol, na plena luz dos astros,

com asas de anjos, harpas celestiais.

Alguns, quilhas e mastros

nas mãos dos vendavais.


Mas tudo são degraus; tudo é fugir

à humana condição.

Degrau após degrau,

tudo é lenta ascensão.


Senhor, como é possível a descrença,

imaginar, sequer, que ao fim da Estrada,

se encontre após esta ansiedade imensa

uma porta fechada

e mais nada?


Fernanda de Castro, in "Asa do Espaço"

17/11/09

Posso ter defeitos, viver ansioso ...



Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir
um castelo…

Fernando Pessoa

16/11/09

Boa Semana

Flores

05/11/09

Tenha um bom dia

imagens para myspace

RecadosOnline

04/11/09

03/11/09

A minha aldeia

A minha aldeia
Minha aldeia é todo o mundo.

Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.

Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Angulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.

Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.

Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valência de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que imergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.
António Gedeão

30/10/09

Mãe para sempre



Para Sempre

Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite,

é tempo sem hora,

luz que não apaga

quando sopra o vento

e chuva desaba,

veludo escondido

na pele enrugada,

água pura, ar puro,

puro pensamento.

Morrer acontece

com o que é breve e passa

sem deixar vestígio.

Mãe, na sua graça,

é eternidade.

Por que Deus se lembra

— mistério profundo —

de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,

baixava uma lei:

Mãe não morre nunca,

mãe ficará sempre

junto de seu filho

e ele, velho embora,

será pequenino

feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade,

in 'Lição de Coisas'

27/10/09

Pretextos para fugir do real



Pretextos para fugir do real
A uma luz perigosa como água
De sonho e assalto
Subindo ao teu corpo real
Recordo-te
E és a mesma
Ternura quase impossível
De suportar
Por isso fecho os olhos
(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da
provocação. É assim que te faço arder triunfalmente
onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)
Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante
Familiar concreta
Como um corpo decifrado de mulher
E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços
*
Experimento um grito
Contra o teu silêncio
Experimento um silêncio
Entro e saio
De mãos pálidas nos bolsos


Alexandre O´Neill
Poesias Completas
1951/1981
Biblioteca de Autores Portugueses
Imprensa Nacional Casa da Moeda

23/10/09

Bom fim de semana

Mundodoorkut.com


16/10/09

Bom fim de semana

Recados fim semana - 2712


ENVIE VOCÊ TAMBEM RECADOS ANIMADOS

14/10/09

Como é possivel???????

Depois das eleições, o assunto mais importante cá do burgo é o vídeo da maitê proença a gozar Portugal. Como é possível tanta ignorância e incompetência? Depois disto continua a visitar-nos e a tentar vender os seus livros.

Comentário de Nuno Markl «...Nem merece a petição. É um gás intestinal televisivo que desaparecerá depressa e sem história... no oceano da net. Dar-lhe atenção de incidente diplomático é honrar a menopausa da Maitê de uma forma exacerbada, sobretudo quando há menopausas tão mais interessantes».

13/10/09

Ao Tiago Pedro...

Rápidas Melhoras

O Mosquito Escreve

O mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,


faz um S.
O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U, e faz um I.
Este mosquito
esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí, se arredonda e faz outro O,
mais bonito.
Oh!
Já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever seu nome.
Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?
E ele está com muita fome.
Cecília Meireles

12/10/09

Boa Semana...

todos os gifs, imagens

08/10/09

Imagens de Outono

07/10/09

Dias de Outono

gifs diferenciados

06/10/09

Dias de Outono



Versos de Outono

Meus versos são como Outono, amarelados,
Secos, caídos, como folhas envelhecidas,
De árvores, com as folhas todas já caídas,
De tempos de muitos prantos derramados...

Minhas rimas são como os secos galhos
Dos troncos carregados de solidão
Largados nas noites frias, em retalhos
Levando-me embora, a inspiração...

Ah, mas é esse o Outono!
Tão morto, tão só, tão sombrio,
Na cama, aqui, eu sinto sono,
No sonho, vil, eu sinto frio...

E é assim que morrem as folhas,
Nessa época, e morrem os versos,
Se estouram, como simples bolhas,
Sentimentos, tornam-se dispersos

Sem rimas, o Outono irá passar...
Mas sabe, sinto, não irei temer,
Pois sei que novos versos vão chegar
Assim que a Primavera florescer....
Murilo Saldanha da Silva

01/10/09

1 de Outubro, Dia Mundial da Música

O Dia Mundial da Música foi instituído a 1 de Outubro de 1975 pelo International Music Council, uma organização não governamental fundada em 1948 sob o patrocínio da UNESCO. Esta celebração visa a promoção de valores de paz e amizade através da linguagem universal que é a música.

30/09/09


Foto/net

De vez em quando os homens tropeçam na verdade, mas a maioria deles levanta-se rapidamente e continua o seu caminho como se nada tivesse acontecido.
(Winston Churchill)

29/09/09

Xutos & Pontapés

no Estádio do Restelo 26/09/2009

28/09/09

1.ª Semana do novo Governo

Para conhecimento de todos ...

Olhando o mar, sonho sem ter de quê



Olhando o mar, sonho sem ter de quê


Olhando o mar, sonho sem ter de quê.

Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.

Mas de se nada ver quanto a alma sonha!

De que me servem a verdade e a fé?


Ver claro! Quantos, que fatais erramos,

Em ruas ou em estradas ou sob ramos,

Temos esta certeza e sempre e em tudo

Sonhamos e sonhamos e sonhamos.


As árvores longínquas da floresta

Parecem, por longínquas, 'star em festa.

Quanto acontece porque se não vê!

Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.


Se tive amores? Já não sei se os tive.

Quem ontem fui já hoje em mim não vive.

Bebe, que tudo é líquido e embriaga,

E a vida morre enquanto o ser revive.


Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser

Motivos coloridos de morrer?

Mas colhe rosas. Porque não colhê-las

Se te agrada e tudo é deixar de o haver?


Fernando Pessoa

25/09/09

Bom fim de semana

17/09/09

Pela luz dos olhos teus



Pela luz dos olhos teus
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
Vinícius de Morais

16/09/09

À minha filha Rita



que iniciou ontem o novo ano lectivo.

Recomeça…

Se puderes

Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga

14/09/09

Gripe A ...


Inicio do novo ano lectivo 2009/2010


Sempre que ensinares, ensina a duvidarem do que estiveres ensinando. Ortega y Gasset


11/09/09

Bom fim de semana

10/09/09

A Frescura

Ah a frescura na face de não cumprir um dever!
Faltar é positivamente estar no campo!
Que refúgio o não se poder ter confiança em nós!
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros,
Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo,
Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que'eu saberia que não vinha.
Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida.
Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação.
E tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora,
Deliberadamente à mesma hora...
Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico.
É tão engraçada esta parte assistente da vida!
Até não consigo acender o cigarro seguinte... Se é um gesto,
Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

08/09/09

Manhãs de Setembro



MANHÃS DE SETEMBRO

Manhãs de Setembro,
aragem fresca
construindo sonhos,
teias de gotas
enfeitando os matos,
perfume verde
a seguir meus passos,
lírios roxos
ponteando as margens
do fio de água
que escorre manso.
E tu E eu!
E a erva tombada
pelos corpos,
os lírios violados
na paixão.
E o céu!
Esse céu azul
sem limite.
O nosso limite.
A nossa eternidade!

Helena Guimarães

02/09/09

Fotografias em tempo de férias




A caminho de Málaga






Alqueva (fotos de Rita Mendes)

01/09/09

Bom regresso ao trabalho



Férias?????? Já acabaram

É muito bom ter férias mas também é muito reconfortante voltar ao trabalho.

É bom saber que somos precisos,que há coisas que só nós fazemos, que temos trabalho, porque a avaliar pela situação económica do país, saber que no fim do mês teremos o nosso salário à espera é por si só motivo para um regresso alegre bem-disposto e com muita vontade de fazer mais e melhor.


24/07/09

E agora vou de férias...



Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

21/07/09

O Sono do Bebé




O SONO DO JOÃO


O João dorme...(Ó Maria,

Diz àquela cotovia

Que fale mais devagar:

Não vá o João acordar...)


Tem só um palmo de altura

E nem meio de largura:

Para o amigo orangotango

O João seria... um morango!

Podia engoli-lo um leão

Quando nasce! As pombas são

Um poucochinho maiores...

Mas os astros são menores!


O João dorme... Que regalo!

Deixá-lo dormir, deixá-lo!

Calai-vos, águas do moinho!

Ó Mar! fala mais baixinho...

E tu, Mãe! e tu, Maria!

Pede àquele cotovia

Que fale mais devagar:

Não vá o João acordar...


O João dorme, o Inocente!

Dorme, dorme eternamente,

Teu calmo sono profundo!

Não acordes para o Mundo,

Pode levar-te a maré:

Tu mal sabes o que isto é...


Ó Mãe! canta-lhe a canção,

Os versos do teu Irmão:

"Na vida que a Dor povoa,

Há só uma coisa boa,

Que é dormir, dormir, dormir...

Tudo vai sem se sentir."


Deixa-o dormir, até ser

Um velhinho... até morrer!


E tu vê-lo-ás crescendo

A teu lado (estou-o vendo

João! que rapaz tão lindo!)

Mas sempre sempre dormindo...


Depois, um dia virá

Que (dormindo)

passará do berço, onde agora dorme,

Para outro, grande, enorme:

E as pombas que eram maiores

Que João... ficarão menores!


Mas para isso, ó Maria!

Diz àquela cotovia

Que fale mais devagar:

Não vá o João acordar...


E os anos irão passando.


Depois, já velhinho, quando

(Serás velhinha também)

Perder a cor que, hoje, tem,

Perder as cores vermelhas

E for cheinho de engelhas,

Morrerá sem o sentir,

Isto é, deixa de dormir:

Acorda e regressa ao seio

De Deus, que é d'onde ele veio...


Mas para isso, ó Maria!

Pede àquela cotovia

Que fale mais devagar:


Não vá o João acordar...


António Nobre

20/07/09



À Luz da Lua!


Íamos sós pela floresta amiga,

Onde em perfumes o luar se evola,

Olhando os céus, modesta rapariga!

Como as crianças ao sair da escola.


Em teus olhos dormentes de fadiga,

Meio cerrados como o olhar da rola,

Eu ia lendo essa balada antiga

D'uns noivos mortos ao cingir da estola...


A Lua-a-Branca, que é tua avozinha,

Cobria com os seus os teus cabelos

E dava-te um aspecto de velhinha!


Que linda eras, o luar que o diga!

E eu compondo estes versos, tu a lê-los,

E ambos cismando na floresta amiga...


António Nobre, in 'Só'

15/07/09

Mil desempregados vigiam floresta



Correio da Manhã - 22 Junho 2009 - 00h30

Prevenção: Medidas de combate aos fogos

Mil desempregados vigiam floresta


Desempregado desde Fevereiro, Cláudio Fonte, de 32 anos, está desde o início do mês a trabalhar num posto de vigia no pinhal de Leiria, com a missão de detectar os fogos florestais logo à nascença e alertar as autoridades de Protecção Civil. É um dos mil desempregados contratados este Verão pela GNR, que lhes paga o almoço, a deslocação e 20 por cento do subsídio de desemprego.


No ano em que já arderam 16 227 hectares de floresta, entre povoamentos e matos, o que representa o quádruplo da área ardida em relação ao ano anterior (ver apoios), a GNR decidiu recrutar os vigilantes através dos centros de emprego, para dispor de uma 'maior oferta de candidatos' e ainda obter 'alguma poupança'.


A medida não foi bem aceite por alguns dos anteriores vigilantes, que 'já contavam com este emprego de Verão' e dizem ter 'um melhor conhecimento' do trabalho a desenvolver. 'Ainda não começou a época mais crítica e já reina a descoordenação, pois até dão alerta de chaminés de fábricas', disse um dos anteriores vigilantes, que pediu anonimato.


Os primeiros 140 vigilantes, que são responsáveis por 70 postos de vigia, começaram a trabalhar no início do mês e apenas entre as 11h00 e as 19h00. A partir de 1 de Julho estarão em funcionamento, 24 horas por dia, os 236 postos de vigia a cargo da GNR, aumentando para quase mil o número de vigilantes contratados para fazer este serviço.


Desde o início do mês, Cláudio Fonte ainda não detectou qualquer foco de incêndio, mas quando isso acontecer sabe o que fazer: 'Tenho uma mesa com monóculo que identifica o local, um PDA com um software que me dá as coordenadas e um rádio para comunicar com a central da Protecção Civil, que acciona os meios.'


O vigilante, que é solteiro, tem o 12º ano e reside na Praia de Vieira de em Leiria, aceitou este trabalho porque não gosta de 'estar parado'. 'Não vou fazer de desempregado carreira. Esta situação é temporária, até tomar um novo rumo.'


O agora vigilante Cláudio Fonte prestava assistência técnica numa empresa de componentes para moldes em plástico.


Dou os meus parabéns à GNR. Falta por os presos e os do "rendimento minimo" a fazer algo de útil.

E já agora quem não aceitar ... o melhor é ir para casa descansar...sem subsidio!!!!!!!!!



Meu País Desgraçado

Meu país desgraçado!...
E no entanto há Sol a cada canto
e não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas ...

Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?

Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!

Povo anêmico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!
Sebastião da Gama

10/07/09

Exaltação


Nela Vicente
Viver!... Beber o vento e o sol!... Erguer

Ao Céu os corações a palpitar!

Deus fez os nossos braços pra prender,

E a boca fez-se sangue pra beijar!


A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...

Asas sempre perdidas a pairar,

Mais alto para as estrelas desprender!...

A glória!... A fama!... O orgulho de criar!...


Da vida tenho o mel e tenho os travos

No lago dos meus olhos de violetas,

Nos meus beijos extáticos, pagãos!...


Trago na boca o coração dos cravos!

Boémios, vagabundos, e poetas:

Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...

Florbela Espanca

07/07/09

Férias em Portugal












As férias estão a chegar











Algumas fotos das férias dos anos anteriores em Espanha

06/07/09

Boa semana

Glitter Para Orkut

Boa Semana - Glitter Para Orkut

05/07/09

Musica Portuguesa para o fim de semana

03/07/09

Homenagem a Michael Jackson

02/07/09

Alexandre O'Neil

Gaivota

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O'Neil - Poeta: 1924 - 1986

01/07/09

A Terra


(Van Gogh)
A Terra
Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.
Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.
Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!
Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.
Terra, minha aliada
Na criação! Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!
E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.
Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!
A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.
Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!
Miguel Torga